OPINIÃO: Quando a macroeconomia vira justificativa e o município perde protagonismo

Tato Aguilar

*Por Tato Aguilar

O debate recente sobre a ocupação hoteleira no Carnaval trouxe à tona um ponto importante: é legítimo reconhecer que o cenário econômico nacional influencia o turismo. Mas é insuficiente utilizá-lo como explicação central para resultados abaixo do esperado.

Segundo dados divulgados por entidades do setor, a ocupação hoteleira no Carnaval de 2026, em Caraguatatuba, apresentou um índice de 76%, um valor muito abaixo do esperado para um feriado em que tradicionalmente a combinação sol, praia e folia são ingredientes naturais para atrair o turista.

Em um vídeo, divulgado nas redes sociais, a atual secretária de Turismo de Caraguatatuba tenta justificar a baixa ocupação com questões macroeconômicas como o endividamento das famílias, comprometimento de renda, juros elevados e até a alta do dólar entrou na lista de desculpas utilizadas por ela e que só reforçam algo já institucionalizado pela atual gestão: a culpa nunca é dela, sempre é do outro.

A pergunta que precisa ser feita é simples: “Se a macroeconomia é a mesma para todos, porque os resultados são diferentes em outras cidades?”

Nossa vizinha, São Sebastião, por exemplo, ficou com uma taxa que ultrapassou 80%, Campos do Jordão, apesar de não ser um destino tradicional carnavalesco, também superou os 80%.

Um governo que se preocupa com a cidade precisa agir mesmo que os indicativos do cenário nacional não sejam favoráveis. A crise econômica nacional não substitui o planejamento municipal.

Deixo aqui algumas perguntas para a secretária: Qual foi o plano específico para o Carnaval? Qual a meta clara de ocupação? Qual a divulgação do calendário de eventos fechado com antecedência mínima de seis meses?

Turismo não pode ser improviso. Cada ponto percentual a menos na ocupação representa: menos consumo no comércio; menos geração de emprego temporário; menos arrecadação para o município; menos renda circulando na cidade.

Turismo é microeconomia municipal. É o dinheiro que entra na padaria, no restaurante, na loja, no quiosque. Quando transferimos a responsabilidade exclusivamente para Brasília ou para o cenário internacional, deixamos de assumir o papel que é nosso.

A função da gestão pública é exatamente mitigar os impactos externos. Se os juros estão altos, qual é a política municipal de incentivo? Se o turista está mais cauteloso, qual é a estratégia de atração? Se o brasileiro está viajando menos, qual é o plano para fidelizar quem já conhece Caraguatatuba?

Não se trata de ataque pessoal. Trata-se de responsabilidade com a cidade.

Este ano ainda teremos pelo menos mais oito feriados prolongados e o Turismo de Caraguatatuba já está pensando nisso? Há alguma política municipal de governo para alavancar as datas e atrair turistas ou este mesmo discurso de que a culpa não é nossa será repetido?

A economia nacional não pode estar nas nossas mãos, mas o planejamento municipal está. Caraguatatuba tem potencial, tem vocação e localização privilegiada o que precisa é de liderança, planejamento e execução.

Afinal, quando falta estratégia, sobra justificativa. A cidade não pode viver de explicações, precisa viver de resultados.

*Tato Aguilar está em seu 4º mandato como vereador em Caraguatatuba e já presidiu o Legislativo Municipal por 3 vezes.

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