• Marcello Veríssimo

    Dois casos registrados com baleias, no final de semana mostram que, mais uma vez, a natureza ensina aos seres humanos sobre o movimento do ciclo da vida . O primeiro deles, divulgado no início da noite desta sexta-feira (29), foi o resgate da 2ª baleia encontrada que foi encontrada morta pela equipe do Instituto Argonauta no Litoral Norte, no intervalo de poucas horas.

    Desta vez, o animal foi encontrado flutuando no mar da Ilha Anchieta em Ubatuba. A equipe do Instituto Argonauta que executa o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) foi acionada por funcionários do Parque Estadual da Ilha Anchieta sobre o animal, que estava no mar entre a Anchieta e a Ilha das Palmas.

    Assim como a Jubarte encontrada em São Sebastião, o animal era um macho, juvenil, com aproximadamente sete metros e estava emalhado em uma rede boiada, um tipo de rede de emalhar com bóias, com cerca de 50 metros de comprimento. De acordo com a assessoria de imprensa do Instituto Argonauta, na rede ainda foram encontrados outros animais como cações, uma corvina e um caranguejo-relógio.

    A equipe removeu todo o petrecho, coletou materiais como pele, gordura e músculo para pesquisa e rebocou o animal até uma área propícia, onde permitiu o procedimento de encalhe controlado. A carcaça foi amarrada e ancorada para se decompor naturalmente e evitar que a maré não a desencalhe.

    O presidente do Instituto Argonauta e oceanógrafo, Hugo Gallo Neto, disse que é sempre mais fácil atuar neste tipo de ocorrência quando as baleias ainda estão boiando. “Sempre a primeira opção é tentar executar o encalhe controlado, com pouco
    recurso e agindo antecipadamente, assim é possível prevenir o problema de encalhe em áreas habitadas e minimizar os riscos de uma embarcação se chocar com um animal desse tamanho boiando à noite”, comentou Hugo.

    Vida – Ainda na sexta-feira (29) o Instituto Argonauta foi acionado sobre uma baleia que foi avistada próxima a Praia Vermelha do Sul, em Ubatuba. De acordo com a assessoria de imprensa do Instituto Argonauta, a princípio a suspeita era de que o animal também estivesse emalhado em uma rede. “A equipe de campo do Instituto Argonauta com o apoio do salva-vidas da Praia Vermelha do Sul se deslocou de bote até o local, porém, não foi possível uma aproximação segura que confirmasse a presença da rede”.

    Ao se aproximarem, os especialistas descobriram que não se tratava de uma Baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) emalhada, e sim de uma Baleia-franca (Eubalena australis) com seu filhote. Mãe e filho estavam descansando, em sintonia lado a lado, com comportamento de amamentação e cuidados.

    A equipe do Argonauta registrou o momento em família e enviou as imagens à equipe do Instituto Australis, em Imbituba, Santa Catarina. Os especialistas dizem que as baleias-francas têm nado mais discreto e lento, sem os saltos e batimento de nadadeiras tão visíveis quanto as Jubartes, o que leva muitas pessoas a acharem que estão com problema e não conseguindo se deslocar. Mas não. Foi possível acompanhá-las por um período e ver que mãe e filhote estão bem e estavam apenas precisando de descanso para seguir viagem.

    Registro – De acordo com o Instituto Argonauta, este foi o terceiro registro do ano de Baleias-franca na região. O Argonauta informou que ao contrário da baleia-jubarte, que pode ser vista em nosso litoral durante a sua migração, a baleia-franca costuma aparecer mais na região sul do país.

    O cetáceo possui uma coloração escura e as calosidades da cor bege gerando um contraste que facilita a identificação de cada baleia. O oceanógrafo, Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta, disse que por serem animais lentos e frequentes em áreas costeiras, as baleias-franca já foram alvo de caçadores, o que resultou na quase extinção da espécie. Atualmente, disse Hugo, não estão mais consideradas como animais ameaçados. “Vê-las ocupando novamente o espaço no nosso litoral é muito gratificante.”

    A diretora de pesquisa ProFRANCA/ Instituto Australis, Karina Groch, conta que este ano um grande número de baleias-franca está aparecendo em nosso litoral. De acordo com ela, a baleia vista na Praia Vermelha do Sul, é catalogada com o número B429, chamada Zimba, e segundo a diretora de pesquisa, já esteve várias vezes no Brasil. “É nossa conhecida desde 2006, uma baleia muito especial para nós, pois é a mascote do nosso projeto, o ProFRANCA”, disse Karina.

    Neste ano, Zimba já foi avistada em Macaé, no Rio, dia 29 de junho, há um mês, e vem sendo acompanhada pelos pesquisadores durante sua passagem pelos mares da região Sudeste.

    A temporada de avistamento de baleias no Litoral Norte segue até novembro. É neste período que as baleias saem da Antártica e viajam cerca de dois meses até as águas quentes no litoral brasileiro para o seu de reprodução, que geralmente dura entre os meses de julho e novembro.

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