• Marcello Veríssimo

     

    Impasse e Incerteza rondam a realização dos exercícios de tiro, que a Marinha do Brasil agendou para os dias 16 e 17 de agosto, na Ilha Sapata, que apesar de ser uma área mais afastada, integra a Unidade de Conservação da Vida Silvestre Refúgio de Alcatrazes, área de proteção criada em 2016. Ambientalistas e sociedade civil organizada estão mobilizados para tentar barrar os exercícios. No último dia 5, o presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Marcos Simanovic, enviou ofício à Marinha alertando sobre os riscos e a impossibilidade da realização dos exercícios.

    De acordo com os ambientalistas, a ilha Sapata é uma área considerada livre para a prática dos tiros, mas neste mês de agosto coincide com o período reprodutivo de aves como as fragatas, peixes, além de estarem na rota de migração das baleias. Os ambientalistas não se opõem aos exercícios, como já foi estabelecido, porém dizem que o período ideal para realizá-los seria entre os meses de novembro e abril. “Existe um movimento muito forte na internet, com um abaixo-assinado cobrando essa sensibilidade ambiental da Marinha, há um termo de compromisso e realizar agora incide uma série de questões”, diz o ICMBio.

    O Arquipélago de Alcatrazes é o maior refúgio de aves e peixes do sudeste brasileiro, além de ser o maior ninho de fragatas do cone-sul americano. “Várias instituições da sociedade civil estão se organizando para demonstrar seu desagrado contra a realização dos exercícios nesta data, por meio de ofícios para que a Marinha encontre uma data mais adequada. Estamos aguardando a resposta”, disse Leo Francine, biólogo e membro do Conselho da Unidade de Conservação da Vida Silvestre Refúgio de Alcatrazes.

    O biológo disse que, neste momento, o mais sensato a se fazer é aguardar um posicionamento oficial da Marinha. O Conselho deve se reunir nesta quarta-feira (10), em reunião aberta, para discutir novos rumos do assunto.

    A reportagem do JDL tentou falar com o Departamento de Comunicação da Marinha em Brasília e em São Paulo, durante toda a tarde desta segunda-feira (8), mas os telefones do site oficial não estavam disponíveis.

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