• Marcello Veríssimo

    Mais de 24 horas. Esse foi o tempo que os moradores do Condomínio Indaiá, que fica no cruzamento das ruas Duque de Caxias com Praça Major João Fernandes, na região central de São Sebastião, permaneceram sem energia elétrica, após a passagem do ciclone extratropical nesta quarta-feira (11). A falta de energia começou por volta das 23h30 na quarta e até às 8h desta sexta-feira não havia sido restabelecida.

    O prédio tem cerca de 20 apartamentos e aproximadamente 15 famílias residentes. O Indaiá é um dos residenciais com mais tradição no centro do município, fica em frente a Igreja Matriz e a Câmara Municipal. Por causa do blackout, dezenas de comerciantes, que têm estabelecimentos comerciais em baixo do prédio, também não puderam trabalhar e ficaram com as portas fechadas nesta quinta-feira.

    Margareth Marcia, conhecida por Maga Trapézio, foi uma das prejudicadas. Ela contou que a ventania levou 4 telhas da sua loja. “A minha sorte foi que um pedreiro anjo me ajudou. Estamos sem energia o dia inteiro, não trabalhamos. Mandei mensagem para a EDP [a concessionária de energia] e disseram que, no momento, tinham outras prioridades do que os comércios”, disse a comerciante. “Tornei a ligar e disse que existia um prédio com moradores e aí informaram que uma equipe iria às 20h”, completou Maga.

    Mas a equipe da EDP não compareceu até às 22h, quando a reportagem do JDL esteve novamente no imóvel. A explicação é que uma árvore caiu em cima do poste da fiação elétrica na esquina da rua e danificou os fios, que ainda na noite de ontem estavam soltos.

    A assessoria de imprensa da EDP informou que nas últimas horas foram registradas cerca de 2 mil ocorrências pelo Centro de Operações Integrado nas regiões de Guarulhos e Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, além de São José dos Campos, no Vale do Paraíba e no Litoral Norte, entre Caraguatatuba e São Sebastião.

    De acordo com a EDP, isso fez com que houvesse um aumento significativo no volume de ocorrências relacionadas ao sistema elétrico local, ocasionadas, principalmente, por quedas de galhos sobre as redes.

    Mas para a cuidadora de idosos Ana Cristina, 46, o problema parece ter sido pontual e o posicionamento da empresa não convenceu. Ela disse que a falta de energia prejudicou seu trabalho e quase colocou em risco a saúde da sua paciente, que eventualmente precisa fazer uso de tubos de oxigênio, em decorrência de problemas respiratórios e está acamada. “Os vizinhos nos foram muito solidários, mas a EDP não. Ainda bem que está tudo sob controle”, disse Ana.

    O síndico do condomínio Indaiá, Marcelo Camargo, disse que sempre que a energia elétrica cai é restabelecida com prontidão. “Desta vez demorou demais, desde ontem. Ligamos diversas vezes e eles dão um prazo de que as equipes estão trabalhando a todo vapor, que são vários pontos da cidade e que logo estarão aqui e não vieram até agora”, disse o síndico, que relata ainda o prejuízo dos moradores com geladeiras e alimentos, entre outros inconvenientes.

    De acordo com a EDP, as equipes de atendimento foram reforçadas, sendo que cerca de 250 equipes técnicas trabalham ininterruptamente desde o início do temporal, para reparar os danos e restabelecer a energia integralmente.

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