• Marcello Veríssimo

    27% das tartarugas encontradas mortas nas praias do Litoral Norte e que passaram por necropsia tinham lixo no estômago ou no intestino. Balanço do Instituto Argonauta, com sede em Ubatuba, que atua no do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), mostra que o lixo marinho continua sendo uma das principais causas da morte dos animais.

    A poluição por resíduos sólidos, especialmente materiais plásticos continua sendo uma grande ameaça para as espécies, especialmente as tartarugas jovens, entre as tartarugas verdes (Chelonia mydas). De acordo com a Fundação Tamar (Tartarugas Marinhas), os animais equivocadamente se alimentam destes resíduos, causando sérios problemas como obstrução do sistema digestivo, lesões internas e infecções secundárias. “É grande o número de tartarugas marinhas que morrem direta ou indiretamente pela ingestão de lixo”, diz o Tamar.

    Somente neste ano, a equipe executora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), nas praias de São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba, encontrou mais de 353 tartarugas na região, 307 delas já estavam mortas quando foram resgatadas na areia ou no mar.

    Das 307 que estavam mortas e que foi possível realizar a necropsia, 26,8% tinham lixo no estômago ou intestino. Segundo o Instituto Argonauta, as tartarugas marinhas são uma das espécies mais afetadas pelo lixo marinho, sendo que mais da metade desses animais já ingeriram algum tipo de plástico e outros detritos produzidos pelos seres humanos.

    Oceano – Mas não é só as tartarugas que estão ameaçadas. Segundo o instituto, uma pesquisa realizada pela organização internacional Oceana, mostrou que 50% de todos os animais que eles pesquisaram haviam ingerido algum tipo de plástico e pelo menos 85% dos animais que ingeriram lixo nos mares são espécies em risco de extinção.

    De acordo com o Argonauta, o animal quando ingere esse tipo de resíduo ainda corre o risco de morrer de inanição, devido ao fato de parar de se alimentar por sentir o volume dos materiais indigestos em seu estômago. “Precisamos refletir constantemente sobre a forma que estamos tratando nosso ambiente e sobre as graves consequências de atitudes irresponsáveis, como o consumo desenfreado por plásticos de uso único, que causam muito sofrimento aos animais marinhos”, disse a médica veterinária Vanessa Ribeiro, do Instituto Biopesca.

    Os Institutos Biopesca e Argonauta atuam no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

    O instituto recomenda que quem encontre um animal na praia, acione o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos debilitados ou mortos, pelos telefones 0800-642-3341 ou diretamente para o Instituto Argonauta: (12) 3833.4863 – 3833.5789/ (12) 3834.1382 (Aquário de Ubatuba)/ (12) 3833.5753/ (12) 99705.6506 e (12) 99785.3615 – WhatsApp

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