• Marcello Veríssimo

    Uma sucessão de falhas. O boletim do acidente de trânsito envolvendo o ônibus da viação Útil, na madrugada do dia 10 de setembro, revela que o acidente foi uma tragédia anunciada e que poderia acontecer a qualquer momento. De acordo com o documento da Polícia Rodoviária Federal, ao qual a reportagem do JDL obteve acesso com exclusividade com base na análise dos vestígios materiais identificados, o motorista Sérgio Oliveira Prado seguia na faixa sentido Paraty-Angra dos Reis, sentido decrescente, quando perdeu o controle, saiu da pista e caiu no abismo com aproximadamente 40 metros.

    O documento reconstitui o passo a passo do acidente. De acordo com a PRF, o local também não estava preservado. A Polícia Rodoviária Federal enfatiza que o motorista não tinha indícios de bebida alcoólica no sangue. “Apesar de realizado o teste de etilômetro no condutor, não houve resultado satisfatório, pois dentro do hospital o ar estava contaminado e o condutor acamado”, diz a PRF, que encaminhou o caso para investigação na delegacia de Angra dos Reis.

    O boletim diz que o motorista ainda tentou frear para evitar a queda, deixando marcas da frenagem no asfalto, porém são informações que constam no tacógrafo. O tacógrafo do ônibus, uma espécie de caixa-preta, que é dispositivo que monitora a velocidade, o tempo de uso e a distância percorrida pelo veículo, também foi entregue à polícia.

    A reportagem do JDL procurou a 166ª Delegacia Policial, em Angra dos Reis, mas não obteve respostas sobre as investigações do acidente.

    Passageira

    A passageira Rebeca Gama, 23 anos, saiu de Caraguatatuba para visitar parentes no Rio de Janeiro e não esperava que fosse viver os momentos de terror com o acidente. Ela estava acompanhada dos três filhos pequenos de 8 meses, 2 e 6 anos naquela noite de sábado (10). “Fiquei muito assustada, ainda ontem [sexta-feira, dia 16] veio tudo na minha cabeça novamente”, disse a dona de casa. “Na saída do hospital, eles me levaram para a casa da minha tia, depois que ela ligou e mandou me levar”, ela recordou.

    Ainda de acordo com a passageira, depois que a levaram para o Rio de Janeiro nenhum representante da empresa fez um novo contato com ela. “Nem perguntaram se eu ou meus filhos estamos bem”. “Quero Justiça, ocorreu um grave acidente e não pode passar impune”.

    Empresa diz que não pode confirmar falha mecânica

    A assessoria de imprensa da Útil disse que ainda é prematuro afirmar sobre qualquer motivo que possa ter causado o acidente com o ônibus na madrugada do dia 10 de setembro. “Ainda não há laudo que demonstre a causa do acidente mas aparentemente foi uma falha humana na condução do veículo”, disse a porta-voz da empresa.

    De acordo com ela, a “perda de controle” a que a Polícia Rodoviária Federal se refere não foi em decorrência de falha mecânica no veículo. “Não foi cochilo nem sonolência, nos parece que foi erro mesmo”. “Não há qualquer indício nos documentos policiais ou perícia que apontem defeito no veículo”. “Infelizmente parece ser imperícia do condutor ao escolher o lado de passar no canteiro local ocasionando o desfecho indesejado”, disse a porta-voz.

    Responsabilidade

    A Útil ainda informou que de todo modo está assumindo “total responsabilidade pelos danos”. “O tratamento está sendo realizado em um hospital particular em Angra. Os familiares e as vítimas que precisam foram hospedados em hotel, transportados e atendidos na sua integralidade sem custo algum para minimizar o desconforto do incidente. A empresa possui estrutura para reparação de danos e está realizando”.

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