• Marcello Veríssimo

    Com a proximidade da Primavera, das festas do fim de ano e da alta temporada de verão uma antiga preocupação nos municípios do Litoral Norte volta à baila: o aumento exponencial da quantidade de lixo produzida neste período.

    Independente da época do ano, a consciência ambiental e o tratamento adequado de reciclagem estão na pauta dos governos, mas ajudar a diminuir os impactos ambientais em rios, praias, mangues e ruas das cidades começa com cada um de nós. O JDL recebeu mensagem de leitores preocupados com a separação do lixo reciclado do chamado lixo úmido ou o lixo orgânico, proveniente de restos de comida e lixo de banheiro, por exemplo.

    De acordo com a leitora, muitas pessoas ainda têm dúvidas e dificuldade em separar corretamente o lixo produzido em casa, além da falta de uma coleta seletiva adequada na maioria dos municípios da região. A leitora disse que, em São Sebastião, existem kombis de catadores que passam antes do horário do caminhão da coleta de lixo para recolher os materiais que são recicláveis e revendê-los.

    A reportagem esteve nesta terça-feira (20) na Cooperativa de Sucata de São Sebastião, que atualmente conta com o trabalho de 21 cooperados na separação dos mais diferentes tipos de materiais que existem e que geram renda para as famílias dessas pessoas. A cooperativa confirma a existência dos “catadores independentes” que recolhem o lixo reciclável pelas ruas da cidade, mas diz que não tem como impedir, pois com a pandemia da Covid-19 são dezenas de pessoas que passaram a recolher lixo para conseguir algum dinheiro. “Não é uma, ou duas, são várias. Hoje, por causa da pandemia, existem vários catadores por São Sebastião. Catam tudo: plástico, ferro, a latinha e vendem para os ferro-velhos, e pegam só o que interessa a eles e o resto eles deixam”, conta a cooperada Maria Luciana Costa.

    Atualmente, a CooperSuss ocupa uma área na região central de São Sebastião, onde funcionava o antigo Almoxarifado da Prefeitura, próximo da rodoviária do município. Luciana acompanhou o JDL em uma visita por todas as etapas do processo de reciclagem. É um trabalho engrandecedor.

    Ela explica que o lixo reciclado é todo aquele que não é lixo orgânico, incluindo plástico de cadeira, carcaça de eletrodomésticos como televisores, ventiladores e máquinas de lavar, além de sacolas plásticas e vidros como garrafas de cerveja e vinho. Em média, garrafas PEAD, que são aquelas de amaciante de roupa, sai a R$ 3 o kilo, a garrafa pet de refrigerante R$ 3,60 e as latinhas de cerveja, bastante valorizada pelos catadores, são vendidas em média por R$ 7.

    Geralmente, os materiais são vendidos soltos para clientes de Caraguatatuba que compram as garrafas de PEAD fazem todo o processo de prensa e limpeza para revendê-los de volta à indústria. “O lixo agora com a chegada do fim do ano vem tudo misturado, o morador ainda tenta separar, mas o turista não. Então, fica muito sujo: vem o resto da ceia de Natal, da ceia de Ano Novo”, diz a cooperada.

    Na cidade, existe o caminhão compactador que faz a coleta do lixo úmido, que passa todos os dias pelos bairros e os caminhões gaiola que fazem a coleta da reciclagem, também por todos os bairros, mas um dia sim, um dia não, percorrendo da Costa Sul a Costa Norte do município.

    A reportagem levantou dados que foram divulgados em 2019 pelas prefeituras da região sobre o custo para “exportação de lixo”, já que o litoral norte não possui aterros sanitários. De acordo com o Instituto Polis, naquele ano, os quatro municípios juntos gastavam cerca de R$60 milhões por ano para transportar o lixo até um aterro sanitário.

    Limpeza

    Pela cooperativa, os cooperados trabalham na separação do lixo que são divididos em imensos fardos e caçambas para cada tipo de material. A cooperada Luciana explica que, atualmente, não é necessário mais fazer a limpeza das embalagens, por exemplo, já que os próprios compradores fazem. Mas, por outro lado, a conscientização ambiental ajuda a deixar um mundo melhor para as próximas gerações. “O pessoal fala que lava o material, mas acaba sendo misturado com outras embalagens”, diz ela, que mostra um pote plástico de requeijão sujo para ilustrar sua fala.

    De acordo com ela, o comprador final dos produtos coloca em uma espécie de piscina, que lava as embalagens. “O material será picado e o material que não for ser utilizado afunda e os outros boiam, aí vem uma peneira, recolhe para colocar no secador, será lavado e embalado”. Outros materiais como caixas de leite tetra pak e garrafas pet são prensados e vendidos em fardos, não são utilizados para ser reutilizados em novas embalagens, geralmente são comprados para fazer telha, placas de pré-montagem para divisórias de casa, por exemplo.

    Grupos

    As garrafas pet são divididas em grupos: pet branca, pet azul, pet verde e a pet óleo, que são vendidas para São Paulo, juntamente com outra infinidade de materiais como sacos de lixo, lona, papelão e vidro. Por mês, a cooperativa chega a vender na alta temporada entre 120 e 130 toneladas por mês, e nos meses de baixa varia entre 60 e 90 toneladas. “Depende do sol, da quantidade de pessoas que estão na cidade. Mas tudo que chega aqui, tratamos e conseguimos dar o destino final adequado”, conta a cooperada.

    A separação do lixo, basicamente, é um processo simples. Basta dividir em casa dois recipientes para o lixo orgânico, como resto de alimentos, lixo de banheiro, fezes de animais e o lixo seco. A cooperativa funciona todos os dias, de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, no sábado até as 12h. “Separem a reciclagem, ajudem a fazer um planeta melhor. Tudo que fazemos hoje vai refletir para os nossos filhos, nossos netos”.

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