• Marcello Veríssimo

    Depois de um ano difícil com inflação alta, desemprego, alta nos índices de violência, campanha política, aumento do custo de vida, o pequeno e médio trabalhador do Litoral Norte, que tem de se desdobrar para não perder a esperança na vida e pagar suas contas, entra na contagem regressiva para dar início na alta temporada de verão, que começa oficialmente um dia após o Natal, em 26 de dezembro.

    Historicamente, as férias de verão entre os meses de dezembro e março é a época em que os municípios do Litoral Norte ficam lotados com dezenas de milhares de turistas que vêm de diferentes regiões do país para descansar, se divertir e gastar.

    O Litoral Paulista é um dos mais bonitos do país e, nos meses de verão, se transforma com centenas de atrações para todos os gostos e bolsos.

    A partir de Bertioga, passando por São Sebastião, Caraguatatuba, Ilhabela e Ubatuba, até chegar em Trindade, na divisa com o Rio de Janeiro, há diversas praias paradisíacas para aproveitar o verão de 2022/23. De acordo com o Observatório do Circuito Litoral Norte, que reúne os quatro municípios do Litoral Norte, além de Bertioga, no mês de julho a taxa de ocupação média nos meios de hospedagem em Ilhabela foi de 68%, no tempo médio de 2,9 dias com diária em torno dos R$ 338.

    Enquanto os turistas descansam, os moradores trabalham para tentar recuperar os prejuízos que se prolongam já por alguns anos desde o advento da pandemia da Covid-19, que mudou as configurações das relações humanas e profissionais. “Estamos confiantes que essa temporada vai ser bastante boa, só sair o sol, as previsões são otimistas, esse ano choveu muito, agosto não trabalhamos nenhum dia, julho nos salvou e agora em setembro foram só dois finais de semana. Então fizemos de um limão, uma limonada neste ano”, conta a vendedora Tatyana Barros, que integra a equipe de uma barraca que vende alimentação em Maresias, praia da costa sul de São Sebastião. “A gente espera que faça muito calor e sol para irmos trabalhar na praia, aí paramos só depois do Carnaval, se Deus quiser”, diz ela.

    A vendedora de praia, Delma de Freitas, também de Maresias, conta que o trabalho depende totalmente dos turistas. “E esse ano, assim como o último foi muito difícil, em relação a economia e com a saúde, está uma situação crítica. Pois muita gente está trabalhando somente para comer, e não está gastando muito com luxos”. “O Brasil passa por uma crise econômica, estamos em época de eleição, e no final do ano ainda tem copa do mundo. O que complica ainda mais para nós”, diz ela.

    A Associação Brasileira de Indústrias e Hotéis informou que com o controle da pandemia, e a predominância da vacinação, mesmo com a crise econômica o brasileiro não deixa de viajar no fim de ano. De acordo com a entidade, os voos domésticos mais requisitados são: Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Salvador (BA), São Paulo (SP), Fortaleza (CE), Maceió (AL), Florianópolis (SC), Porto Seguro (BA), Natal (RN) e João Pessoa (PB).

    No ar e na terra, para os turistas que preferem viajar de carro, o Litoral Norte de São Paulo deve ser um dos principais destinos do país. Por enquanto, as gestões municipais ainda não possuem dados oficiais sobre as expectativas de movimento para a temporada, mas muito provavelmente, com o real que continua desvalorizado o índice de ocupação hoteleira deve ser como na temporada passada podendo chegar aos 96%, entre os dias 28 de dezembro e 2 de janeiro.

    A reportagem do JDL tentou ouvir o Sinhores (Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares) do Litoral Norte, mas nenhum representante da entidade foi localizado para comentar o assunto.

    A artesã de São Sebastião, Geny Palieri, que há aproximadamente três décadas trabalha vendendo suas próprias produções autorais na Rua da Praia, região central do município, também diz estar otimista com a temporada que se aproxima. “Depois da pandemia, as pessoas parecem ter a sensação de voltarem a se sentir livres, mas está tudo tão atípico, frio em setembro, esperamos pelo sol e calor, com sol tudo acontece”, torce a artesã, que também trabalha com tatuagens de henna.

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