• Marcello Veríssimo

    Depois do Dia da Padroeira e do Dia das Crianças, o mês de outubro ainda guarda um dia muito especial e que assim como os outros merece ser lembrado com todas as honras: o Dia dos Professores, celebrado no dia 15 deste mês.

    Em 2022, o Dia dos Professores cai no sábado, mas nem por isso deve deixar de ser lembrado por cada um que teve um professor especial na vida ou que não seja especial, porém que ensinou a ler, escrever, fazer cálculos e tornar possível uma base cada peça na construção do adulto que cada um se tornou.

    O Dia do Professor foi estabelecido em 1963, durante o governo do presidente João Goulart.
    A data brasileira também faz menção a um decreto de dom Pedro I que organizava o Ensino Elementar. Ao redor do mundo, em outros países geralmente o dia do professor é lembrado no dia 5 de outubro sem deixar de ressaltar a importância deste profissional não importa a época em que a humanidade viva.

    Sob este prisma a reportagem do JDL propôs um desafio a si mesma de encontrar professoras de São Sebastião que ajudaram a construir o modelo de educação que deu origem ao atual, a rede pública de ensino e, o mais importante, que pudessem demonstrar o amor ao ofício, ao magistério e a arte de formar cidadãos neste Dia dos Professores.

    Missão dada é missão cumprida. O JDL entrou na máquina do tempo e encontrou a professora Mariza Dória Orselli, 87, que se formou no magistério aos 23 anos e deu aula por 28 antes de se aposentar, se tornando uma referência até os dias atuais quando o assunto é ensinar. A tia Mariza, como é conhecida, recebeu a reportagem na casa onde viveu com o marido, o saudoso Álvaro Orselli, o seu Alvinho, na tarde desta quarta-feira (5), na região central de São Sebastião.

    Tia Mariza conta que concluiu o ensino Magistério em Taubaté, no Vale do Paraíba. Nascida em Juiz de Fora, Minas Gerais, ela conta que começou a estudar no seu estado, mas mudou-se para ficar perto da família. “Cursei dois anos em Minas mas não trazia de um estado para o outro, meu pai resolveu voltar faltava um ano para me formar ou lá ou aqui [no estado de São Paulo]”, relembra a professora. “O salário inicial em Minas era de 3.200 cruzeiros e em São Paulo 9.800, não exitei, fiquei e me formei”, completa.

    Neste momento, começava uma grande história de amor pela profissão. “Fui trazida para São Sebastião pela minha grande amiga Terezinha Pacino, que faleceu ano passado, a família dela me recebeu muito bem e eu fui para Barra do Sahy, precisamente em maio de 59”, conta a professora.

    Apesar dos desafios, Tia Mariza lembra com carinho dos seus primeiros passos como professora. E foram muitos. “Naquela época não tinha estrada, tinha um barco que pegávamos às 3h30 da madrugada no cais e só chegava as 11h”. “O barco fazia paradas no Portinho, Praia Grande, Bexiga, Curral e São Pedro na Ilhabela. Era um barco de capotagem que levava banana, mexerica, os produtos da terra para Santos e trazia querosene, sal, tecidos para São Sebastião”.

    O transporte era feito por dois barcos: São Manuel e Sudamérica, que ia para Santos no sábado e voltava na quarta-feira, já o São Manuel ia na quinta e voltava domingo. “O barco parava aproximadamente 400 metros distante da praia e tinha que esperar uma canoa vir nos buscar”. E para passar do barco para a canoa, relembra Tia Mariza, era outra aventura. “Tínhamos que esperar a onda abaixar o barco e subir a canoa para todo mundo desembarcar”, relembra, hoje, aos risos.

    Escola – A primeira escola que tia Mariza lecionou foi a Barra do Sahy. “Era um prédio retangular, cabia uma fileira de carteira de cada lado nas salas”. “Atrás, só tinha um quarto pequeno e uma cozinha separados, não havia nada para higiene, casinha (banheiro) e lá eu lecionei dois anos. Era primeira, segunda e terceira séries na mesma sala, no mesmo horario”.

    A primeira série era dividida em A, B e C. Depois de Barra do Sahy, em 1961, Tia Marisa passou a lecionar em Toque Toque Grande, onde diz ter sido muito feliz, antes de conhecer o grande amor de sua vida, o senhor Alvinho. “Ele era funcionário dos correios, vice prefeito eleito. Na época não era junto, como é hoje, o prefeito era o senhor Gil Pacini”.

    Em 1963, chegou ao Henrique Botelho, na região central de São Sebastião, que funcionava no atual prédio da Secretária de Turismo. “Fui ser substituta efetiva no primário”. Sua primeira turma foram alunos de segunda série. “O diretor pediu para eu pegar a classe em agosto e fui até o fim do ano com elas”, recorda.

    Tia Mariza não parou durante toda sua carreira e ainda hoje refaz os caminhos que a motivaram por todo o Litoral Norte, ensinando. Além de São Sebastião, também passou por estabelecimentos de ensino, incluindo a Diretoria Regional, em Caraguatatuba e Ilhabela. “Me afastei totalmente do Magistério e não acompanhei as mudanças de hoje em dia. A figura do professor está muito desrespeitada. Sem professor primário, não vai ter doutor”.

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