• Marcello Veríssimo

    Está cada vez mais difícil para o trabalhador brasileiro de classe média e os mais pobres manter o básico. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) voltou a subir no mês passado, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O índice foi divulgado nesta quinta-feira (10), após três meses de deflação, o indicador oficial da inflação voltou a subir 0,59% no mês passado.

    As projeções dos economistas previam um avanço de 0,49%. De acordo com o IBGE, o novo resultado veio após quedas consecutivas de 0,29% em setembro, de 0,36% em agosto e de 0,68% em julho.

    Mas para quem está todos os dias nos supermercados, mesmo com a divulgação atual do IPCA, ainda não fez diferença, principalmente no bolso. “Tudo subiu, parece que estamos vivendo em recessão. Você compra o básico e três ou quatro sacolinhas tem a chance de chegar a quase R$300”, disse a dona de casa, Maria da Conceição, 52.

    A impressão de Dona Maria e de centenas de milhares de brasileiros que lotam os supermercados diariamente acontece justamente depois de 12 meses em que o IPCA passou a acumular alta de 6,47% até outubro, apontou o IBGE. O avanço era de 7,17% até setembro. “A gente compra hoje, pois não sabe se terá condição de comprar amanhã”, completa a dona de casa.

    Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em outubro, entre eles o grupo dos alimentos e bebidas foi o que mais contribuiu para a alta, que foi de 0,16 ponto percentual, fechando em 0,72% em outubro. No mês de setembro a medição foi de 0,51%.

    Na sequência, os custos que mais se elevaram foram saúde e cuidados pessoais 1,16% e transportes 0,58%, com impactos de 0,15 e 0,12 pontos percentuais, respectivamente.

    De acordo com o IBGE, juntos, os três grupos responderam por cerca de 73% do IPCA de outubro. A maior variação do mês foi do grupo vestuário: 1,22%.

    Eleitoral – Para tentar conter a carestia no ano eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) apostou em cortes de impostos.Em junho, Bolsonaro sancionou o teto para cobrança do ICMS, que é um tributo estadual, sobre combustíveis, entre outros itens. A medida veio acompanhada pela redução dos preços praticados nas refinarias da Petrobras.

    Em conjunto, segundo os especialistas, esses dois fatores levaram o preço dos combustíveis para baixo, puxando a deflação do IPCA às vésperas das eleições. Mas agora trégua nas bombas dos postos também já dá sinais de esgotamento.

    A inflação elevada afetou produtos sensíveis ao bolso dos brasileiros mais pobres, justamente os alimentos, e serviu como munição para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu Bolsonaro no segundo turno e gerou uma onda de protestos pelo país.

    Mais alta – Até dezembro, os economistas projetam alta de 5,63%, ou seja, mais inflação. O Banco Central divulgou nesta quinta-feira que o centro da meta era de 3,50% em 2022. O teto é de 5%.

    Para 2023, a estimativa sinaliza um IPCA de 4,94%. O mercado ainda aguarda a montagem da equipe econômica do presidente Lula para avaliar os possíveis rumos da economia no ano que vem.

    Os economistas dizem que um dos principais desafios para Lula será conciliar responsabilidade fiscal com pagamento de benefícios sociais prometidos durante a campanha, incluindo a manutenção do valor mínimo de R$ 600 do Auxílio Brasil, que deve ser rebatizado novamente como Bolsa Família.

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.