• Marcello Veríssimo

    Frequentadores das praias de Caraguatatuba reclamam da ação dos agentes do Departamento de Fiscalização de Posturas da Secretaria de Urbanismo e da Atividade Delegada da Polícia Militar que realizaram operação para coibir infrações relacionadas a perturbação do sossego em residências e comércios durante o feriado prolongado de Proclamação da República, nesta terça-feira (15).

    De acordo com a prefeitura, foram cerca de 36 denúncias realizadas no período e cerca de 50 pessoas foram autuadas, entre o sábado (12) e a última terça-feira. Cinco pessoas foram multadas no valor de R$ 1,9 mil cada.

    Para os turistas, a ação foi truculenta. Mas praias, segundo o balanço da fiscalização, duas caixas de som foram apreendidas e pelo menos 32 pessoas abordadas pelo uso indevido de caixas de som portáteis, sendo orientadas a desligar os equipamentos. “Quer dizer, a gente vem para a praia buscando liberdade e não tem. Por um lado é compreensível, o esforço para manter a ordem mas essa lei é meio absurda, a praia é aberta, é pública”, disse a turista Caroline Santos, de São Paulo, que passou o feriado na cidade com amigos. “Tanta coisa errada por aí, eles querem controlar a música que as pessoas ouvem”, ela reclamou.

    Para o advogado paulistano Leandro Nogueira, a praia Martim de Sá virou uma espécie de “trincheira de guerra” para ver quem tem o som mais alto. Ele diz ser contra a permanência das caixinhas de som, porém não concorda com a abordagem das pessoas da forma como acontece. “Obviamente não é pacífico e acaba atrapalhando o dia de quem não tem nada com isso e só quer aproveitar o mar e a areia”. “O verão é liberdade, nessa época nós que trabalhamos o ano inteiro queremos descansar não somos obrigados a ouvir música dos outros. É preciso também maior conscientização para eliminar o clima de tensão que fica no ar”, ele disse.

    O professor de inglês, Rafael Clemencio, disse que não gostou do que viu. “Mesmo que seja irregular, os comerciantes precisam trabalhar. Se eu comprar um óculos de R$10 na praia, sei que ele não vai durar muito. As caixas de som realmente são um problema, mas não falam tanto em democracia? O choro é livre se você não gosta da música alheia. Essa fiscalização é um caça-niquel”, ironizou.

    A Prefeitura de Caraguatatuba não comentou a reação dos turistas.

    Comércio – Nas praias Martim de Sá, Mococa, Cocanha, Indaiá e na Prainha as ações de fiscalização também foram realizadas contra o comércio ambulante clandestino. De acordo com o balanço divulgado mais de 500 produtos vendidos ilegalmente, entre óculos de sol, chapéus e bonés, capas protetoras para celular e camisetas também foram confiscados pela Atividade Delegada da Polícia Militar Ambiental.

    Durante a fiscalização, ainda foram abordados 11 ônibus de fretamento turístico, sendo três deles multados em aproximadamente R$ 2 mil cada um. De acordo com a fiscalização, os ônibus não possuíam autorização para transportar passageiros até a praia e também por parar fora de estacionamento de hotéis e pousadas regularizados.

    One thought on “Turistas reclamam sobre ações de fiscalização contra “Lei do Silêncio” nas praias de Caraguatatuba”
    1. Não vejo nada demais em se levar uma caixa de som na praia e a ouça de forma baixa e civilizada. Eu, por exemplo, levo uma caixinha JBL Go 3 e ouço meu som baixo, apenas para os que estão junto comigo na praia. Vejo muitas pessoas com caixas que mal conseguem carregar, que colocam músicas de gosto duvidoso, apelativas e cheias de palavrões e se vangloriam disso, junto com muita bebida. Ser civilizado e reconhecer seu espaço não custa nada para ninguém. Esse papo de liberdade de se fazer o que quer na praia, fazendo dela uma terra de ninguém, não é correto. Respeito é bom e todos gostam.

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