Marcello Veríssimo

A ARTESP (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) divulgou nesta terça-feira (3) balanço do movimento nas principais rodovias de acesso e saída da capital paulista durante o feriado de Réveillon. De acordo com o balanço, foram mais de 3,5 milhões de veículos nas principais rodovias concedidas de acesso e saída da capital paulista durante o feriado de Ano Novo.

A agência registrou o movimento nas principais rodovias de São Paulo, que incluem os sistemas Anchieta (SP 150) – Imigrantes (SP 160), Anhanguera (SP 330) – Bandeirantes (SP 348) e Castello Branco (SP 280) – Raposo Tavares (SP 270), além do corredor Ayrton Senna – Carvalho Pinto e dos trechos Sul, Oeste e Leste do seRodoanel.

O balanço também leva em consideração o movimento nas rodovias administradas pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem) que registrou o movimento de mais de 1,5 milhão de veículos.

O diretor-geral da ARTESP, Milton Persoli, disse que neste feriado de Réveillon as concessionários reforçaram os serviços de
atendimento aos motoristas com socorro médico e mecânico. “Além disso, houve incremento também nos equipamentos que auxiliam na gestão do tráfego como PMVs, câmeras de monitoramento e contadores veiculares (SATs), importantes para promover mais segurança aos motoristas”, disse ele.

Na tarde desta terça-feira (3), a reportagem do JDL recebeu vídeos de motoristas que estavam na Rodovia dos Tamoios (SP-99), no sentido Litoral Norte, que estava completamente congestionado. Pela Tamoios, somente durante o fim de semana do Ano Novo passaram
99.960 mil veículos neste feriado, em ambos os sentidos. “O trânsito está insano, uma coisa assim surreal, impossível andar”, disse uma internauta.

Ainda de acordo com a ARTESP, considerando apenas as viagens no feriado de Ano Novo 582.947 mil veículos utilizaram as rodovias Anchieta (SP 150) e Imigrantes (SP 160), no sentido litoral.

SOS Estradas – O coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, disse que conhece bem a região, a Rodovia dos Tamoios e que a concessão melhorou muito a infraestrutura da rodovia. “A concessão melhorou muito as condições do trecho. Mas o que a gente percebe é que temos uma boa estrutura nas rodovias, mas com limitações, inclusive passando por áreas urbanas”, explica Rizzotto. “É muito difícil no Brasil a própria concessão de rodovias, na realidade, são de rodovias que já passam por pequenas cidades e se tornam inclusive a principal avenida destes locais”, ele completou.

O cenário apontado por Rodolfo durante a entrevista ao JDL é bastante conhecido dos moradores do Litoral Norte e mostra uma limitação física por projetos antigos e não por rodovias novas. “Na Tamoios tem algumas coisas que foram feitas e isso ajuda, mas ainda não o suficiente para resolver o aumento na demanda e a oferta limitada fisicamente”.

Por outro lado, Rodolfo aponta que não parece que a gestão da ARTESP e principalmente dos governos em geral façam um planejamento para solucionar o problema da mobilidade nas rodovias. “Basta ver o tempo que demorou e até hoje não se finalizou o Rodoanel em São Paulo. Se olharmos os projetos, quantas vezes foram anunciados e os prazos vemos que o planejamento não funciona”, ele disse.

Rodolfo conta que, no dia 30 dezembro, foi oficializada uma denúncia com relação à segurança viária. “A ARTESP tem uma gestão complicada. Fizemos uma denúncia sobre uma portaria da ARTESP mostrando irregularidades graves no transporte rodoviário de passageiros”.

O coordenador do SOS Estradas disse que na madrugada desta terça-feira (3) um ônibus da viação Cometa sofreu um grave acidente na Rodovia dos Bandeirantes deixando 24 passageiros feridos. O ônibus fazia a linha Ribeirão Preto/São Paulo.

Uma portaria da ARTESP passou de 170 km para 350 km a distância entre uma parada e outra em viagens longas, o que na visão do especialista aumenta o risco do motorista cochilar ao volante. Além disso, Rodolfo também cita supostas irregularidades nos aumentos autorizados pela agência praticamente com apenas 24 horas de antecedência. “Para fazer essas alterações é preciso estudo. Pedágio não é um valor que se chega em uma sala e faz a conta, então por qual motivo isso não é informado com mais antecedência”. “Conceder trechos já existentes e ter melhorias maiores ou menores não é suficiente para se atender um estado como São Paulo”.

A ARTESP não comentou o assunto com a reportagem do JDL

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