Marcello Veríssimo

Eles chegaram cedo, por todos os lugares e de todos os pontos da cidade. Por volta do meio-dia a avenida Paulista, no coração de São Paulo, já estava lotada pelos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A maior parte se concentrou no vão do MASP (Museu Assis Chateaubriand).

Embora o ato tenha começado pouco depois das 15h, desde às 9h os apoiadores começaram a ocupar a Paulista, que é fechada ao trânsito nos domingos. A manifestação ocupou seis quarteirões da Paulista.

A reportagem do JDL esteve na avenida Paulista, neste domingo (25), e viu apoiadores fervorosos entoando músicas evangélicas e gritos como “Volta, Bolsonaro”, “mito”, “Deus acima de tudo”.

De acordo com estimativas dos organizadores, pelo menos 700 mil pessoas participaram do ato na avenida Paulista. Mas, no início da noite, segundo um grupo de pesquisadores da USP, o ato reuniu pouco mais de 180 mil pessoas.

Jair chegou acompanhado da mulher Michele. Durante seu discurso, o ex-presidente negou a tentativa de golpe. “O que eu busco é a pacificação, passar uma borracha no passado. É buscar uma maneira de vivermos em paz, de não continuarmos sobressaltados”, disse Jair, que ainda pediu anistia para ele e para os envolvidos no caso do suposto golpe. “Agora pedimos a todos os 513 deputados e 81 senadores, um projeto de anistia para que seja feita justiça em nosso Brasil”.

Os vendedores ambulantes aproveitam a concentração de pessoas para vender, de bandeiras, camisetas, bonés e até cordões com o tema do ex-presidente da República. “Eles vêm ver o Bozo e é bom para gente ganhar algum a mais”, disse um vendedor de bandeiras, que tinha a meta de vender pelo menos 10 unidades, cada uma por R$25. “O dia mal começou e já vendi as 10”, comemora.

Jair Bolsonaro convocou seus apoiadores para um grande ato neste domingo (25) há algumas semanas pela internet. Na última quinta-feira (22), o ex-presidente compareceu à sede da Polícia Federal para prestar depoimento sobre as investigações de que ele seria o líder de um suposto plano de golpe de estado após a vitória de Luís Inácio Lula da Silva nas últimas eleições presidenciais.

De acordo com a PF, Bolsonaro permaneceu em silêncio no depoimento.

No caso do ato do último domingo, cientistas políticos disseram à BBC Brasil, que trata-se de uma oportunidade para Jair “mostrar sua força” e com isso tornar as investigações do caso do suposto golpe mais difíceis para a PF.

Pacífico

Durante todo o dia não faltaram polêmicas em torno do evento. Um dos filhos do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro publicou em seu perfil no X, o antigo twitter, que havia infiltrados no meio da multidão para “desrespeitar a manifestação ordeira”.

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) também monitorou a movimentação das pessoas pela Paulista por meio de drones e câmeras, além de pelotões com policiais militares pela extensão da via.

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