Marcello Veríssimo

Como já era esperado, mais uma vez, a sessão da Câmara de São Sebastião na noite desta terça-feira (23) serviu de palanque para o que vem por aí na reta final da campanha das eleições municipais.

No centro da baixaria, o vereador tucano Diego Nabuco, que diante uma decisão liminar, conseguiu o direito de voltar ao trabalho após ter sido afastado na semana passada por suspeitas de assédio sexual. Nabuco, que é aliado do prefeito Felipe Augusto, havia sido afastado por 90 dias de suas funções após parecer da Comissão de Ética e Decoro.

Na decisão liminar, o juiz entendeu que “inexiste previsão para se sustentar o afastamento cautelar por decisão do Poder Legislativo no âmbito do processo de cassação de mandato”.

O plenário Zino Militão dos Santos, novamente, ficou lotado. Em sua maioria, mulheres contra e a favor do parlamentar. A transmissão pela internet reproduziu o que quem estava na casa viu de perto: gritos, confrontos e discussões constantes.

Conhecido por ser um homem temente a Deus e a família, o vereador Nabuco contou com o apoio de sua esposa que chegou a arrancar um cartaz das mãos de uma das manifestantes contrárias ao retorno do parlamentar. “Não vou dar ouvidos aos idiotas que estão ali fora. Cara a cara tem medo”, desafiou Nabuco, ao pegar o microfone em sua fala.

Tentando mediar a confusão, em um dos vários momentos com ânimo a flor da pele, o presidente da Câmara, Marcos Fuly (DEM) disse que apesar do vereador ter sido afastado por unanimidade, enquanto forem realizadas as investigações pela comissão, no prazo de até 90 dias, ele teve que ser reintegrado por ordem judicial.

Nabuco disse que vai provar sua inocência. “Querem me derrubar politicamente, mas vou provar que não estou errado. A resposta e as defesas já foram feitas na parte criminal. Aqui, já me condenaram sem direito à defesa”, disse o vereador. “Para me tirar daqui tem que ser no voto. Não adianta tentar tirar no grito, no tapetão e acusação falsa. Eu não vou sair! Eu não vou sair! Não adianta fazer discurso político em cima de uma denúncia tão grave”, ele afirmou.

Diante o tumulto, o presidente Marcos Fuly resolveu suspender a sessão.

Em uma nova tentativa de continuar, em vão, mesmo com a presença de policiais militares, o presidente Fuly resolveu encerrar a sessão.

Pautas importantes e de repercussão pública não conseguiram ser votadas, entre elas o PDL do Araçá e as contas do prefeito Felipe Augusto dos anos de 2020 e 2021, que foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado.

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