Impactos da maturidade no sexo afetam mais gays e mulheres do que homens heteros

Marcello Veríssimo

Com a proximidade do Dia dos Namorados, uma parcela da população também busca agradar seus parceiros, mas sem o frescor da juventude é cada dia mais frequente, principalmente na internet, posts relacionados com o sexo na maturidade. Geralmente, apesar do tempo passar para todos, é nas mulheres que o tema se torna mais acentuado.

Os especialistas explicam que é a partir da menopausa que as mulheres vivem uma série de mudanças físicas, hormonais e emocionais, que podem impactar diretamente a vida sexual. Para continuar aproveitando a intimidade com seu parceiro, mesmo na menopausa, a mulher precisa estar munida de autoconhecimento para viver este período de forma plena.

Na mulher, diferentemente do homem, as mudanças relacionadas ao desejo sexual são mais visíveis graças às alterações hormonais, como a diminuição nos níveis de estrogênio, que leva a redução da lubrificação vaginal, que, por consequência, pode causar um desconforto durante a relação sexual.

Márcia Cunha, fundadora e CEO da Plenapausa, disse que é preciso que a mulher se atente à sua saúde mental nesse período, realizando atividades que sempre gostou de fazer, incluindo manter a intimidade com o parceiro. “A tendência é que a mulher, quando entra na menopausa, acredite que o sexo não será mais tão presente, tão importante. Mas a realidade é que, devido às mudanças físicas, como a diminuição da lubrificação e, consequentemente, da libido, o sexo para essa mulher ficou diferente”, explica Márcia. “O que não quer dizer que ela não queira ou não precise. Pelo contrário. Continuar praticando a intimidade com o parceiro, mas de forma a conhecer esse novo corpo, não só fará bem fisiologicamente, como para a mente”, completa.

Para a ginecologista Natacha Machado, a mulher que mantém a vida sexual ativa nesse período tem diversos benefícios. Ela explica que quando a mulher vive esta fase, é importante reconhecer seu corpo, ver o que gosta e precisa. “Para o ressecamento vaginal, é bom investir em lubrificantes à base de água. A prática sexual irá fortalecer os músculos pélvicos, evitando a incontinência urinária, além de proporcionar alívio do estresse e melhora no humor, proporcionando bem-estar”, disse ela.

Tabu

“O sexo na terceira idade ainda é um grande tabu em nossa sociedade”. A declaração de Miren Larrazabal, psicóloga, sexóloga e presidente da Sociedade Internacional de Especialistas em Sexologia, reforça o fato que a sexualidade é um aspecto central do ser humano que está presente ao longo da vida, inclusive na velhice e deve ser tratada com normalidade.

De acordo com estudo da Universidade de Pittsburgh, analisou informações de mais de as mulheres tendem a encarar o sexo de três maneiras diferentes ao longo do envelhecimento. 28% delas valorizam menos
o sexo após os 50 anos, enquanto 27% disseram que o sexo continuava muito importante ao longo dos 40, 50 e 60 anos. A maioria das mulheres 48% seguiu um terceiro caminho, segundo a pesquisa, ainda valorizavam o sexo no início da menopausa, mas perderam gradativamente entre os 50 ou 60 anos.

Impactos

O coach e treinador de vida de São Sebastião, Giobert Gonçalves Júnior, 60, disse que é inegável os impactos que a idade acarreta na vida sexual, mas que é preciso ampliar o debate para desmistificar os tabus, principalmente nas populações das pequenas cidades. “O envelhecimento da população LGBTQIAP+ é invisível, pouco debatido ou valorizado”, disse ele, que é gay assumido, já foi casado, manteve namoros e hoje está sozinho por opção. “Não tenho medo da solidão, vivo minha solitude constante”.

A reportagem do JDL tentou obter informações sobre essa população nas cidades da região nesta segunda-feira (3), mas sem sucesso. De acordo com fontes da saúde pública no litoral, não existem políticas públicas voltadas para este segmento.

Para Giobert, não há idade ou perfil para se encontrar o amor ou manter a chama sexual acesa. “O sexo é inerente ao ser humano: é físico, é hormônio não tem como escapar”.

O jovem Renato, 24, que preferiu não revelar sua identidade por ainda estar no armário, disse que para ele os parceiros não podem ter mais de 35. “Não curto velhos, então se eu tenho o que o outro quer, eu escolho, pois a minha pele ainda é jovem”, disse ele.

Andropausa

Também chamada de “menopausa masculina”, a andropausa é marcada pela diminuição nos níveis de testosterona que varia entre os homens. De acordo com a farmacêutica Pfizer, os seus sinais podem ser aliviados com algumas mudanças na rotina.

Entre as alterações mais comuns com a queda nos níveis de testosterona estão:

Alterações na função sexual – isso pode incluir redução do desejo sexual, menos ereções espontâneas, como as durante o sono, e redução da fertilidade. Outro sinal pode ser a diminuição no tamanho dos testículos;

Mudanças físicas – aumento da gordura corporal, redução da massa e da força muscular, diminuição da densidade óssea, inchaço na região dos mamilos e perda de pelos do corpo são algumas alterações causadas pela andropausa;

Mudanças emocionais – diminuição da motivação ou a autoconfiança e, com isso, tristeza e problemas de concentração e de memória;

Alteração no padrão de sono – tais como insônia ou sonolência aumentada.

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