A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em parceria com o Escritório de Representação do Itamaraty em São Paulo (Eresp), realizou, nesta quinta-feira (7), um seminário de Internacionalização para Cidades Médias Industriais Paulistas. O curso, que também ocorrerá nesta sexta-feira (8), busca capacitar prefeitos e vereadores dos municípios paulistas para facilitar e ampliar suas relações diplomáticas. A atividade foi solicitada pelo presidente da Comissão de Relações Internacionais da Casa, o deputado Maurici (PT).

“A Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Legislativa tem enorme satisfação de ser parceira do Eresp nessa atividade. Temos feito outras atividades para aproximar as representações das entidades consulares e os escritórios de representação econômica dos diversos países”, declarou Maurici.

Contexto

De acordo com o embaixador e chefe do Eresp, Alfredo Camargo, o curso se realiza em um contexto marcado pelo fortalecimento do Brasil no cenário mundial e o alto grau de internacionalização do Estado de São Paulo, fator que facilita a integração internacional. A consequência disso é a demanda de prefeitos por uma internacionalização de suas cidades de médio porte. “O país vem se estabelecendo como o 25º exportador, o 27º importador e nós vamos atingir a 9ª posição da economia mundial este ano”, pontuou.

Segundo a secretária municipal de Relações Internacionais de São Paulo, Marta Rocha, a cidade de São Paulo acredita na cooperação internacional e na força da ação conjunta, principalmente em meio à crise climática, às desigualdades, guerras, conflitos armados e ameaças sanitárias na saúde.

As vantagens de São Paulo

O secretário executivo de Negócios Internacionais, Marco Aurélio Rocha, falou que esse é um projeto-piloto do Ministério das Relações Exteriores, que começa em São Paulo, devido a imensas vantagens comparativas.

“O Estado tem a melhor infraestrutura do país, uma mão-de-obra super qualificada e uma cultura empreendedora. São Paulo é responsável por 30% do comércio exterior, 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e 37% do PIB industrial. Então, aproximar São Paulo das cadeias internacionais de valor certamente promoverá desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da população estadual”, explicou Rocha.

São Paulo foi a primeira cidade a criar uma Secretaria de Relações Internacionais. “Nós somos uma metrópole mundial, diversa e inclusiva de 12 milhões de habitantes, responsável por 10% do PIB nacional e que abriga 114 nacionalidades e uma das maiores redes consulares do planeta”, declarou.

Poder local

Para o deputado Maurici, São Paulo é a segunda cidade mundial com o maior número de representações internacionais, o que já sugere a importância da Capital. “Concordo também com o Eresp no esforço que faz que devemos integrar as ferramentas possíveis para preparar os municípios para essas políticas. Cada vez mais o poder local assume uma importância no Brasil”, disse.

Marta Rocha, que também é presidente do Fórum Nacional de Gestores Municipais em Relações Internacionais (Fonari), explica que o objetivo da instituição é reforçar o papel e a relevância dessas estruturas municipais internacionais para o desenvolvimento local. “Não tem município pequeno para ter um departamento ou secretaria de relações internacionais. Não existe isso. Todos crescem”, reforçou.

O Fonari também aprovou a Carta de São Paulo que destacou a importância do fortalecimento das áreas internacionais das cidades, além de reafirmar o compromisso com as agendas globais de sustentabilidade, redução das desigualdades, atuação em redes e a integração latino-americana.

“Temos uma meta compartilhada: promover um Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que aprove e reconheça as capacidades internacionais das cidades brasileiras, competência que hoje está restrita ao governo federal”, destacou Marta.

A sub-chefe do Eresp, Irene Vida Gala, disse que a realidade atual é a paradiplomacia, que é feita na base das organizações públicas do Estado. O tema internacional ainda está absolutamente circunscrito à agenda econômica e comercial, o que empobrece nossa participação internacional. O poder público dos municípios é capaz de criar as condições para os seus múltiplos agentes (comércio, sociedade civil, universidades, agentes culturais etc) participarem da agenda internacional.

Presenças

A Mesa Diretora foi composta pelo deputado Maurici; embaixador e chefe do escritório regional do Itamaraty em São Paulo (Eresp), Alfredo Camargo; secretário executivo de Negócios Internacionais, Marco Aurélio Rocha e a secretária municipal de Relações Internacionais de São Paulo e presidente do Fórum Nacional de Gestores Municipais em Relações Internacionais (Fonari), Marta Suplicy;

O evento também contou com a presença da cônsul-geral da Bélgica no Estado de São Paulo, Valentine Mangez; do cônsul-geral adjunto da Alemanha, Joseph Weiss; do cônsul-geral da Espanha, Pablo Fernández-Palacios e algumas autoridades políticas.

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