Marcello Veríssimo

Um dos dramas judiciais mais longos de que se tem notícia em São Sebastião acabou de ganhar mais um capítulo. Após mais de cinco anos, uma decisão da Justiça foi favorável ao Instituto Caramelo, antigo Instituto Luisa Mell, no caso que ficou conhecido como o canil clandestino que funcionava no bairro Arrastão, na região central da cidade.

Pela decisão, da juíza Gláucia Fernandes Paiva, que a reportagem do JDL obteve acesso (veja abaixo), na ação penal de crimes contra a fauna, os réus Gabriela e Ewandro Rogério Góes, teriam praticado maus tratos contra animais domésticos, no caso cachorros, “com vontade consciente e unidade de desígnios” contra 143 cães causando a morte de 18 animais.

A decisão judicial em primeira instância ainda reverbera por outros caminhos no caso do fatídico canil, que ficou conhecido em todo o país, após a operação de resgate sensacionalista feita por Mell e sua equipe naquele dia 19 de dezembro de 2018. De acordo com a decisão, Gabriela e Ewandro mantinham remédios de uso veterinário sem autorização e em desacordo com a determinação legal e regulamentar, além do descarte irregular de resíduos sólidos que poderiam causar danos à saúde humana.

“De verdade tenho fé que a Justiça seja feita e a verdade venha à tona”, disse Gabriela, que nega tudo com veemência. “Ela [a juíza] desconsiderou todos os laudos dos peritos veterinários”, completou.

De acordo com a juíza, as declarações das testemunhas, incluindo médicos veterinários, um delegado de polícia, policiais militares e ambientais corroboradas por fotos e exames “foram suficientes para apontar as patologias dos animais apreendidos e constituir a materialidade definitiva dos crimes praticados”.

Gabriela disse que vai apelar da decisão e continua buscando por justiça. “Somos vítimas e isso vai ser provado nos autos”, disse ela à reportagem.

Pela decisão, que deixa algumas brechas como os cachorros que estavam mortos e depois apareceram vivos, Gabriela foi condenada a pagar mais de R$ 96 mil correspondentes aos gastos que o Instituto Luisa Mell teve para tratar dos cães que foram retirados do canil naquele dia 19 de dezembro.

O atualmente chamado de Instituto Caramelo postou nesta terça-feira (5), em seu perfil oficial no Instagram, seu posicionamento sobre o julgamento. Pela nota divulgada, a instituição disse que foi acionada para auxiliar no resgate que era executado pela polícia.

“Não foi sequer a denunciante, mas ainda assim foi atacada exaustivamente por Gabriela Bueno durante todos esses anos”, diz a nota.

A reportagem do JDL tentou durante toda esta terça-feira (5) falar com algum representante do Instituto Caramelo, mas não teve seu pedido de entrevista atendido.

O advogado Francisco Ricardo, que defende Gabriela Bueno, disse que vai providenciar a apelação para o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), em segunda instância, com o objetivo de inocentá-la definitivamente de todas as acusações.

Veja na íntegra a decisão da juíza Gláucia Fernandes Paiva: Sentença

By srneto

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