Marcello Veríssimo

O plenário da Câmara de São Sebastião ficou lotado na noite desta terça-feira (19). Moradores da região da Baía do Araçá, na região central do município, realizaram um protesto para pressionar os vereadores a barrarem o Projeto de Lei, de autoria do Executivo, que visa a revitalização da orla no centro da cidade, especialmente no Araçá.

A sessão foi polêmica. Após cerca de 40 minutos, o plenário Zino Militão teve de ser esvaziado depois que jogaram gás de pimenta. A reportagem do JDL tentou confirmar se o gás foi disparado por um policial municipal ou veio da rua, mas não obteve resposta.

Os moradores do Araçá pedem que os vereadores votem contra o PL, que tramita desde a semana passada na Câmara. A previsão é que a matéria seja votada na próxima terça-feira (26).

De acordo com os moradores, os chamados territórios tradicionais são protegidos por lei. “Estamos pedindo respeito aos povos tradicionais caiçaras”, disse a moradora Maria Cecília Nobre.

Enquanto esteve paralisada, houve correria na porta da Câmara com a chegada do Corpo de Bombeiros e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Durante toda a sessão, as polícias Militar e Municipal fizeram a segurança do prédio da Câmara. A sessão foi retomada, cerca de 30 minutos depois, após o inconveniente com os ânimos a flor da pele.

De um lado, moradores cobrando soluções e do outro, os vereadores se esforçando para manter a calma.

De acordo com o presidente da mesa, vereador Marcos Fuly (DEM), todos os requerimentos foram retirados da pauta para que se voltasse para a discussão deste projeto de lei.

A Casa é do Povo – Moradores no plenário disseram que o Araçá Fica! Sem querer dar entrevista, para eles a iniciativa de revitalizar a orla é uma espécie de “higienização” para tirar as pessoas do local. “É inadmissível um projeto que visa remover a centenária comunidade caiçara e colocar em risco o ecossistema da Baía do Araçá. O caiçara está sendo tratado como lixo”, disse Fernando Puga, que utilizou a Tribuna Livre para prestar apoio aos moradores.

De acordo com Puga, existe uma distância grande entre o governo e a população. “Reconheço a luta do povo, mas eu sabia que o problema de São Sebastião não é um problema ambiental é dar casa para essas pessoas que carregam a economia da cidade no lombo”.

 

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