Sebastião Rodrigues e Marcello Veríssimo

Um dos importantes políticos da história recente de São Sebastião, o médico e advogado Juan Pons Garcia, 66, confirmou para o JDL que é pré-candidato a prefeito pelo PSD (Partido Social Democrático) nas eleições de outubro. Ele recebeu a reportagem na última sexta-feira (19) em seu escritório na Praça Major João Fernandes, região central do município.

Por mais de 60 minutos, Juan, que é um crítico severo da atual gestão, pareceu tranquilo, bastante consciente do atual cenário político, das dificuldades que pairam na cidade e de possíveis alternativas para solucioná-las.
Além disso, Garcia disse que está elegível sem nada que o impeça de disputar o voto do eleitor.

“Só havia um impedimento para eu ser candidato, que era a exoneração que o Ernane [ex-prefeito] fez comigo em 2013. Essa condição foi extinta em agosto de 2021”, disse Juan.

As outras condições, segundo ele, não o tornam inelegível. “As ações civis públicas, de improbidade, não podem me impedir de disputar a eleição”, completou o pré-candidato, fazendo referência a antiga lei eleitoral. “A única condição que existia era totalmente política e soube me desvencilhar dela”.

Garcia falou sobre saúde, educação, obras, turismo, meio ambiente, assistência social e aplicação dos royalties do petróleo.

De acordo com Juan, como todo prefeito ele possui algumas ações na justiça, mas que “todas estão resolvidas”. Ele disse com orgulho que diferentemente de outros políticos que o atacam, as ações não se enquadram no dolo, dano ao erário e tão pouco enriquecimento ilícito.

“Não há essa condição, mas obviamente que todo adversário é canastrão, que é uma palavra elogiosa, pois todos os adversários do nível que temos em São Sebastião são canalhas”.

Para Juan, essa característica se deve ao medo que os adversários possuem de enfrentá-lo nas urnas. “Como eles têm que me conter o máximo que puderem, ficam com essas histórias. Estou super apto para disputar uma eleição sem a necessidade de nenhuma medida judicial complementar”, disse o pré-candidato, que ainda desafiou seus concorrentes. “Eles é que têm de provar que eu não posso concorrer”.

Revanche

Sobre o polêmico projeto do Centro de Convenções da Praia Grande, o pré-candidato disse que foi vítima de um “ato político revanchista”, que terminou com a demolição do imóvel, uma das bandeiras de Garcia quando foi prefeito e que ainda continua em destaque. “Na nossa nova gestão, se Deus permitir, vamos refazer o Centro de Convenções no mesmo local, que é bastante adequado”.

De acordo com Juan, o Centro de Convenções é um dos pilares para um setor do turismo ainda pouco explorado na cidade, que é o turismo de negócios. “São Sebastião não tem um segmento turístico em que ele se destaca, ganhou prêmio aqui, outro prêmio ali, mas isso é balela”, critica Garcia, fazendo referência que os prêmios não diferenciam em nada, pois no Litoral Norte não existe uma cidade que seja referência no turismo de negócios.

A área em que o centro foi construído pertence ao município, sendo mal utilizada, segundo o pré-candidato. “Os políticos não abrem novas frentes para o turismo além da praia, sol e show, mas isso não é turismo”.

Juan Garcia também fala da falta de investimento nos sítios arqueológicos, que também estão mal geridos, entre outras falhas como o abandono do Balneário dos Trabalhadores e da Fundamar.

Saúde nota 4

Para Juan, a saúde em São Sebastião também não evoluiu nos últimos oito anos. “As queixas são exatamente as mesmas. Oito anos deste governo atual, oito anos do governo anterior e a estrutura hospitalar em São Sebastião é pior do que eu deixei”. “Tudo que foi feito em saúde não passa de propaganda, muita propaganda”, disse Juan, que avaliou com nota 4 o sistema de saúde atual no município, que segundo o pré-candidato, ainda segue engatinhando.
Ele critica uma das principais bandeiras do governo Felipe Augusto, que é o hospital de Boiçucanga. “Lá [na Costa Sul] não tem hospital como eles alardeiam”, ele garante. “Não tem médico, não tem anestesista, nenhuma retaguarda para maternidade, tem o que sempre teve, mas não se pode alardear serviço que não tem”.

O pré-candidato critica a divulgação de que existe maternidade no hospital da Costa Sul.

“Lá não tem centro cirúrgico, é mentira. Uma sala não é centro cirúrgico. Centro cirúrgico é médico, anesista, toda estrutura humana necessária, estrutura física não vale, então eles mentem, a saúde está engatinhando”.

De acordo com Garcia, a cidade não possui serviço de especialidades, unidade de diagnósticos. “No sistema primário, no secundário, nós regredimos profundamente, não há uma evolução marcante a mais do que sempre existiu. A saúde talvez seja a área que menos evoluiu”.

Questionado que nota daria para o atual sistema de saúde do município, Juan disse que daria uma nota 4.

Social

Outro problema a ser resolvido na cidade, segundo Juan, são as questões sociais. Na visão dele, morar na rua é uma opção, mas o município não pode permitir que isso seja um estorvo para aqueles que não querem. “Isso só minimiza se o poder público tiver olhos para esse assunto, mas olhos com solução”. “O serviço social deve ser atuante, mas não é polícia, é serviço social”, disse Juan.

“Não há uma constância na prestação destes serviços, só picos, diante das reclamações, o que significa que o serviço não funciona”, completa.

Não existe milagre

O pré-candidato do PSD acredita que o atual cenário de crise na cidade se deve a falta de planejamento, organização e gestão.

“Esse é o modus operandi de incompetentes, de pessoas que não têm visão e não enxergam o que é uma administração pública”. “Pode ser de qualquer P de partido, que é de políticos que não estão preparados para ser administradores públicos”.

De acordo com Garcia, organizar a Prefeitura de São Sebastião seria bastante simples. “Já fiz isso uma vez: em 2005 fiz quase que praticamente isso pois também existia uma desestruturação administrativa e financeira”. “Hoje o que mais pesa é a desestruturação administrativa, pois está tudo entregue nas mãos de pessoas que não são funcionários efetivos de carreira, isso apodreceu a prefeitura”, avalia. “A atual administração destruiu a estrutura administrativa da prefeitura nos vários setores”, completa Juan.

Educação também padece

Para Juan, a educação no município também padece. De acordo com ele, a área talvez seja a que possui maior contingente de funcionários efetivos com um quadro de aproximadamente 800 professores, etc, mas sob o aspecto físico, como o próprio Juan diz, as creches foram construídas em bairros onde não há demanda, entre outros equívocos. “Essas creches foram feitas com verba da educação e hoje são transformadas em aparelhos esportivos. A inauguração recente no Pontal da Cruz demonstra isso: foi feita a creche e um ginásio de esportes para uma creche”.

O pré-candidato também critica investimentos que considera sem planejamento, e cita a construção de uma escola em Boiçucanca na estrada do Cascalho, que segundo ele, não suporta mais fluxo de veículos. “As estruturas físicas que estão sendo feitas estão muito mal locadas dentro do município e dou só mais um exemplo, lá em Boiçucanga, na estrada do Cascalho estão construindo mais uma escola, mas a estrada do Cascalho não suporta mais fluxo de veículos nem de pessoas pois está supercongestionada, então a escola está mal posicionada. Quando aquela escola estiver a todo vapor, trava toda a avenida principal do bairro. São investimentos para extinguir o orçamento da educação”.

Juan também critica a parte pedagógica e entrega de uniformes escolares, que segundo ele, voltaram a ser entregues neste ano por ser ano eleitoral.

“A educação não está focada em formar o estudante e sim em atender princípios de marketing. A parte pedagógica está sofrível. Eu tenho o entendimento que o caráter pedagógico não está muito bem conduzido”.

Infaestrutura, obras e investimentos

Ao comentar sobre os investimentos em obras no município, Juan Garcia fez duras críticas ao que considera de gastos exorbitantes e que não comprovam os mesmos.

“Gastar dinheiro não significa bons resultados. Eles gastam dinheiro demais, de maneira absurda e sem proposta. Hoje não se fala mais em São Sebastião em obras de 2 milhões, 3 milhões, o que se está lançado são obras de 125 milhões, 56 milhões, etc, em locais que efetivamente do ponto de vista prático, não precisam desses investimentos”.

Juan critica o que considera investimentos de quem não tem visão de futuro. “Sempre a preocupação de fazer obra de superfície, essa é a característica de todos os administradores que não tem visão de futuro. Eles querem calçar, asfaltar, pintar, etc, quando na verdade São Sebastião, desde a minha saída, não faz nenhuma obra de macrodrenagem nem de microdrenagem ao longo de todo o município. Eles querem calçar, asfaltar, mas não se preocupam em drenar a água de dentro das comunidades”.

Ao criticar as ações do governo municipal em relação ao que ocorreu em fevereiro de 2023, Juan aponta o que considera as falhas dos governantes.

“O que ocorreu há um ano atrás é o resultado dessa política altamente personalista que os governantes têm, só objetivam o voto, nós advertimos há 20 anos atrás que isso poderia acontecer e que a cidade precisava organizar o seu crescimento. A infraestrutura do município está totalmente sem conexão”.

Royalties

A conquista após uma longa batalha com Ilhabela da questão dos royalties, que geraram praticamente outro orçamento para o município em 2023, também foi alvo de comentário do pré-candidato, sobre o que está sendo feito e o que representa os recursos para o município no futuro. “É uma conquista que independe de qualquer prefeito, porque é uma discussão jurídica que São Sebastião faria jus independente de quem estivesse na cadeira. O município conquistou porque é uma disputa jurídica que fatalmente cairia no município em algum momento”, destacou.

Juan fez duras críticas aos investimentos dos recursos recebidos em 2023. “Eu só fico triste que tenha caído nessa gestão, porque é uma gestão altamente incompetente. Se você tem um orçamente programado que é de 1,2 bilhão de reais em 2023, e no mês de fevereiro você reconhece que está falido o município é porque a gestão não tem condições de administrar um orçamento bilionário. Em agosto do mesmo ano você recebe mais 1,2 bilhão, um outro orçamento como um aporte brutal de recursos e em dezembro você já tem todo esse 1,2 bilhão comprometido com obras de gosto duvidoso e por valores altíssimos, a prefeitura não tem sequer condições de ter máquinas, caminhões, uma estrutura mínima para conduzir o dia a dia da administração e você precisa alugar tudo, significa que o município está realmente em frangalhos”, destacou.

“Esse 1,2 bilhão gastos de maneira aceleradíssima, em cinco meses, eu chamo de uma altíssima irresponsabilidade, que é o que foi feito, gastos exorbitantes que criaram em São Sebastião os novos políticos ricos que gastam o dinheiro desmesuradamente como se não houvesse amanhã, sem se preocupar com investimentos em saúde, educação, etc”, concluiu.”

By srneto

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