Henrique Martins
As cidades São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba tem praias ameaçadas pelo avanço do mar. O estudo “Mapa de Risco à Erosão Costeira do Estado de São Paulo”, produzido pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) em 2017, traça um panorama sobre a erosão no litoral paulista.
O levantamento identifica os principais desafios e medidas necessárias para enfrentar o problema, causado pela ocupação irregular da orla e por fatores naturais, como a elevação do nível do mar e as mudanças climáticas.
Segundo o Mapa de Risco, diversas praias no Brasil sofrem com o avanço do mar, exigindo ações de recuperação ou contenção.
Apesar do tema ser amplamente estudado por instituições de Geociências, as políticas de planejamento e gestão costeira ainda incorporam pouco desse conhecimento. Como resultado, recursos públicos são aplicados em obras de engenharia que, em alguns casos, acabam intensificando a erosão, aponta o estudo.
Veja as praias mais ameaçadas do Litoral Norte na seguinte imagem:
Eduardo Hipólito do Rego é advogado, mestre em Direito Ambiental e especialista em ecossistemas litorâneos. Atua como professor universitário e integra comitês de gestão ambiental, contribuindo ativamente para o monitoramento e a preservação das zonas costeiras.
Ele explicou ao Jornal do Litoral que a erosão causa impactos ambientais, como a destruição de manguezais, e patrimoniais, ao comprometer infraestruturas urbanas. Em algumas regiões, há também a progradação, que é o acúmulo de sedimentos, alterando a geografia das praias.
“A contenção da erosão costeira exige intervenções estruturais, como barreiras e obras. Um exemplo crítico ocorre na praia do Massaguaçu, onde a erosão chegou a destruir parte da rodovia Rio-Santos. Obras emergenciais foram realizadas ao longo dos anos, e uma intervenção mais robusta há alguns anos tem evitado novos danos. Outras estratégias, como o engordamento artificial de praias, foram adotadas em locais como Balneário Camboriú, mas sem o efeito esperado e com impactos negativos. Em São Sebastião, um condomínio precisou erguer uma estrutura de contenção tão grande que se destaca na paisagem, evidenciando o desafio de equilibrar proteção costeira e impacto ambiental.”
Eduardo também alerta que as prefeituras raramente contam com departamentos especializados em mudanças climáticas e que a resposta do poder público tem sido lenta. Para enfrentar a erosão costeira, seria essencial a criação de políticas públicas específicas e a presença de profissionais dedicados ao tema, garantindo um planejamento eficiente para mitigar os danos ambientais.
Mais informações sobre o tema podem ser obtidas no site: https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/institutogeologico/2012/03/mapa-de-risco-a-erosao-costeira-no-litoral-paulista/
Foto: Obra de contenção realizada na rodovia Manoel Hipólito do Rego, na praia do Massaguaçu em Caraguatatuba.